Brasnutri e Kraft Foods do Brasil em ação social conjunta em prol da educação ambiental nas escolas públicas de Araguari-MG (Triângulo Mineiro). Em breve, saiba mais sobre essa brilhante iniciativa. O programa Bom Vizinho Escolas já é conhecido no Brasil todo pelo desdobramento positivo que é dado no envolvimento da indústria e a comunidade local onde ela atua.
CURIOSIDADE: A Kraft Foods Brasil é subsidiária da norte-americana Kraft Foods, segunda maior indústria de alimentos no mundo e primeira nos Estados Unidos. No Brasil, a empresa conta com um portfólio de marcas consagradas como Lacta, Royal, Tang, Clight, Maguary, Club Social, Trakinas, Bits Chipits, Oreo e Philadelphia. A Kraft tem na Responsabilidade Social Corporativa um dos pilares estratégicos, atuando nas áreas de combate à fome e desnutrição, educação, melhoria da qualidade de vida, e promoção da sustentabilidade nas comunidades onde está presente com parceiros como Care Brasil; Cren (Centro de Recuperação e Educação Nutricional); Pastoral da Criança; Fome Zero e Abrinq; além do “Programa Voluntário Kraft”, considerado benchmark em Curitiba (PR) e do Programa Bom Vizinho.
Diretamente responsável pelo forte aumento global dos preços dos alimentos, a crescente demanda dos países emergentes, particularmente China e Índia, também é determinante para o galopante encarecimento dos insumos agrícolas no mercado internacional.
Grandes importadores de grãos e outros produtos agropecuários, esses países - a Rússia entre eles - vêm tentando estimular o aumento de suas próprias produções, em geral ineficientes e carentes de investimentos. Daí a importância dos insumos, muitos dos quais com expressivas ofertas locais, ao contrário do que acontece com os alimentos.
O caso dos fertilizantes é emblemático. Elevados à condição de vilã da agroinflação por agricultores do mundo todo, os adubos são produzidos em larga escala em China, Índia e Rússia, cada um com uma especialidade. E normalmente são exportados para celeiros como o Brasil, que agora passaram a enfrentar mais dificuldades para recebê-los.
Com a alta de subsídios locais e a imposição de tarifas sobre os embarques, dizem especialistas, chineses, indianos e russos terminam, involuntariamente, por colaborar para a criação de um círculo vicioso que vem resultando em mais aumento dos preços. Isso porque insumos mais caros - e os fertilizantes mais do que dobraram no último ano - significam alimentos mais caros.
De 2000 a 2006, a demanda chinesa saltou de 34,4 milhões de toneladas de nutrientes para 47,7 milhões, segundo a Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes (IFA), com sede em Paris.
Como observa Mário Barbosa, presidente da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), que também preside a Bunge Fertilizantes, apenas o aumento chinês supera de longe todo o consumo brasileiro, calculado pela IFA em 8,9 milhões de toneladas de nutrientes em 2006 - em produtos finais, foram quase 21 milhões de toneladas naquele ano.
No caso da Índia, o incremento de 2000 para 2006 foi de 17,7 milhões para 20,1 milhões de toneladas, e com isso os dois gigantes emergentes (China e Índia) determinaram o salto do consumo mundial no intervalo, de 136,7 milhões para 157,3 milhões de toneladas. A partir desta explosiva demanda - e preocupados em atendê-la da forma mais acessível -, ambos adotaram medidas que alavancam os preços e preocupam países importadores.
Entre essas medidas estão os subsídios, prática adotada por chineses e indianos. Barbosa observa que, só na Índia, foram US$ 25 bilhões em subsídios para facilitar a compra de adubos apenas no ano passado.
Mas, apesar do potencial distorcivo que carregam, os subsídios não estão no topo da lista de preocupações dos importadores, que reservam o posto para as tarifas sobre as exportações, em alta com a expressiva escalada dos preços e, apesar dela, do apetite de países de Brasil e Argentina, interessados em plantar para atender ao consumo mundial de alimentos e aproveitar os excelentes preços de grãos como milho, trigo e soja.
Na China, as exportações de nutrientes derivados do nitrogênio já pagam taxa entre 100% e 130%. Para os nutrientes derivados do fosfato, as tarifas variam de 130% a 135%. A Rússia, outro emergente grande exportador de fertilizantes, taxa os embarques de nitrogenados e de fosfatados em 8,5%, impõe tarifa de 6,5% sobre as vendas externas de enxofre - é imprescindível para a produção de fosfatados - e de 5% sobre os embarques de nutrientes do potássio.
Nitrogênio, fosfato e potássio são as principais fontes de nutrientes para adubos. No mundo, nenhum deles está sobrando. No Brasil, são limitados as fontes de nitrogenados e potássicos. As de fosfatados são menos restritas, mas, como em todos os casos, os investimentos para explorar essas fontes são bilionários.
O Ministério da Agricultura já reuniu em seu departamento de gestão estratégica um coquetel de medidas a serem debatidas com outros órgãos do governo e com a cadeia produtiva para tentar estimular a concorrência e frear a disparada dos preços dos fertilizantes no mercado interno, que mais do que dobraram só no último ano.
Reflexo direto de um superaquecido mercado internacional, a alta no Brasil, que importa entre 65% e 70% de seu consumo total, é apontada pelos produtores rurais como uma das vilãs do encarecimento global dos alimentos e obstáculo para a expansão da oferta agrícola doméstica. Também colabora para renovar as acusações de existência de cartel no segmento, oligopolizado no mundo e no país em virtude dos elevados investimentos necessários para pesquisas e exploração das fontes de nutrientes que compõem os adubos.
Segundo Ali Saab, técnico do departamento de gestão estratégica escalado para analisar o segmento e apresentar alternativas para combater para o problema, a situação é complexa, provocada pela sobreposição de alguns vetores e exige ações em diferentes frentes. Uma delas, viável no curto prazo, é a redução temporária da Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC) de 4% sobre o ácido fosfórico e de 10% sobre o fosfato bicálcico, que foi anunciada na terça-feira em audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara.
Mas Saab sabe que é pouco, uma vez que praticamente não há barreiras tarifárias para a importação, por agroindústrias ou agricultores. No quesito desonerações, também estão em avaliação a derrubada do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) - equivalente a 25% do valor do frete das importações - e uma antiga demanda das indústrias brasileiras, que é o fim da cobrança de ICMS no transporte interestadual da produção doméstica, que já não onera as importações. Esta decisão, entretanto, depende do aval do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
Para estimular a competição, o Ministério da Agricultura se dispôs, nos últimos meses, a fortalecer o poder de barganha dos agricultores nesse mercado, por meio do incentivo à formação de grupos com escala suficiente para garantir preços melhores no exterior. Grandes grupos da região Centro-Oeste, como o Consórcio Cooperativo Agropecuário Brasileiro (CCAB), que reúne 20 cooperativas de quatro Estados, já partiram para o modelo, mas casos como esse são raros e a estratégia é de médio prazo.
"Como a importação está aberta a todos, o ministério estimula de forma veemente que organizações de produtores se reúnam em uma holding para importar", diz Saab. Segundo ele, o ministério também poderia tentar aproximar os agricultores brasileiros dos exportadores de fertilizantes de países como a Rússia, por exemplo. "Quem sabe promovemos a troca direta entre o insumo e os nossos produtos agrícolas de exportação".
Dois modelos de linha de crédito voltada aos agricultores também estão sendo avaliadas e poderiam ser operacionalizadas por BNDES e/ou Banco do Brasil. Uma delas seria para custear a compra de adubo; a outra, para estimular a aquisição ou a construção de unidades misturadoras - que combinam os nutrientes e os transformam em fertilizantes finais - próximas a portos como o de Paranaguá (PR), para facilitar o uso de importados.
Medidas como essas, afirmam executivos e especialistas do segmento, são paliativos bem-vindos, mas paliativos. A questão estrutural é o fato de o Brasil, uma das maiores potências do agronegócio mundial, não ser capaz de atender à demanda de seus produtores, e uma saída para essa sinuca de bico é mais difícil de ser encontrada. São três as principais fontes de nutrientes para a fabricação de adubos - nitrogênio, potássio e fosfato -, e o país só tem possibilidades reais de avançar nos fosfatados.
Para elevar a oferta interna de nitrogenados, o Brasil precisa de gás natural, disputado por termelétricas, residências e veículos. No potássio, monopolizado pela Vale, são escassas as reservas nacionais. Restam os fosfatados, alvos principais dos projetos de expansão das indústrias.
As transportadoras devem reajustar em até 8% o preço do frete de insumos agrícolas, segundo informou o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), Mário Sérgio Cutait.
– As transportadoras já nos comunicaram que vão repassar o aumento desde o dia 5 – disse Cutait, depois de participar de uma audiência pública, nessa terça-feira, dia 6, da Comissão de Agricultura da Câmara que discutiu o aumento dos insumos agrícolas.
Cutait não soube precisar em quanto esse aumento refletirá no preço da ração animal, mas afirmou que haverá aumento.
– Hoje, qualquer migalha conta – disse se referindo à conjuntura atual de alta no preço dos insumos agrícolas.
O aumento do frete dos insumos reflete a alta de 15% no preço do óleo diesel nas refinarias, anunciado na semana passada.
Segundo o presidente do Sindirações, o crescimento da demanda mundial superior ao aumento da produção tem gerado a alta dos preços dos insumos nos últimos meses. O preço dos fertilizantes, por exemplo, aumentou de 40% a 100% nos últimos meses, como informou o diretor de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz de Araújo.
O diretor não soube dizer, no entanto, se o aumento dos insumos pressionará ainda mais o preço dos alimentos, que já estão em alta.
– Nós não sabemos, porque o agricultor não é um formador de preço, ele é um tomador de preço – afirmou Araújo.