A política monetária do Federal Reserve (Fed), cuja prioridade é impedir a instalação de um processo recessivo nos EUA, em detrimento do combate à inflação, está debilitando o dólar frente às moedas internacionais. Os sinais de que o Fed fechará os olhos para a inflação elevada e persistirá reduzindo o juro básico americano foram reforçados ontem em discurso do presidente Ben Bernanke. O Fed "agirá no momento oportuno, da forma necessária, para sustentar o crescimento e proporcionar a garantia adequada contra riscos", afirmou.
Os contratos futuros de fed funds (fundos de reservas bancárias indexados ao juro básico) têm 100% de certeza de que a taxa cairá de 3% para 2,5% na próxima reunião de política monetária, no dia 18 de março. Desde o terceiro trimestre do ano passado, o Fed reduziu o juro referencial em cinco ocasiões, sendo duas em janeiro. A taxa passou de 5,25%, no início de agosto, para os atuais 3%.
Os novos sinais de afrouxamento emitidos por Bernanke enfraqueceram ainda mais a moeda americana. O recado levou ontem o dólar a seu mais baixo patamar em relação ao euro. A cotação do euro ultrapassou a marca de US$ 1,51.
Entre as moedas mais beneficiadas pela fraqueza do dólar está o real brasileiro. Ontem foi o oitavo dia consecutivo de desvalorização do dólar no mercado interno. Neste período, a moeda caiu 4,62%. Fechou ontem em queda de 0,71%, cotada a R$ 1,6720, menor preço desde 18 de maio de 1999. Além dos fundamentos da economia brasileira, os investidores estrangeiros são atraídos pelo elevado diferencial entre os juros internos e externos, atualmente em 8%. E, além dos juros altos, ganham a apreciação do real frente ao dólar. Apenas desde o pânico do dia 21 de janeiro até ontem, o dólar caiu 8,63%.
A opção do Fed pelo combate à recessão afasta os fundos de investimentos globais das aplicações denominadas em dólar. Por temor da inflação americana, busca-se proteção em ativos percebidos como reais, como commodities, ações e moedas de países emergentes.
As receitas abaixo foram extraídas do livro "ADUBAÇÃO ORGÂNICA - Preparo fácil de Biofertilizantes e Compostos Orgânicos"do Eng. Agr. Silvio Roberto Penteado.
BIOFERTILIZANTES
A calda biofertilizante vem sendo muito empregada ultimamente na agricultura ecológica. A razão é que tem demonstrado efeito no aumento da resistência ás pragas e moléstias e como adubo foliar orgânico benéfico para inúmeras plantas.
ÁGUA + ESTERCO
Numa lata de 20 litros, colocar esterco de curral , esterco de galinha e açucar . Completar com água, deixando um espaço de 8 a 10 centímetros antes da borda acima, para evitar transbordar. Fechar muito bem a boca da lata, vedando com um saco plástico bem amarrado. Deixar fermentar. A calda pronta deve ser diluída, misturando 1,0 litro da calda obtida para cada 10 litros de água.
ÁGUA + ESTERCO + CAPINS
Num tambor colocam-se de esterco fresco e capins picados + água. Adicionando açucar ou melaço favorece a fermentação.A fermentação leva de 20 a 40 dias, obtendo uma calda, que deve ser diluída. Para cada litro de biofertilizante pode se misturar 1, 2 ou 3 litros de água. Quanto mais diluída menor será o efeito defensivo.
RESÍDUO DA FERMENTAÇÃO DO MELAÇO
A. Indicação
É um adubo foliar orgânico, resíduo da fermentação biológica do melaço, sendo rico em enxofre, nitrogênio, potássio e aminoácidos. Foi testado com sucesso pela EMBRAPA/Jaguariuna, no controle do oídio da abobrinha e do pepino e efeito nutricional. A mistura desse produto com a calda sulfocálcica (1%) tem proporcionado bons resultados na prevenção de pragas (ácaros, cochonilhas, etc) e doenças (ferrugens, oídio) em pêssego e goiaba.
B. Recomendação e aplicação
É resultado da fermentação glutâmica do melaço. Aplicação semanal de 2,5 k em 100 litros de água (Astiarraga & Bettiol,1997). Observação: Há no mercado produtos cuja composição básica é constituida do resíduo de fermentação do melaço, com o nome comercial de Amino-Solo (Technes) ou Danifol (Agrohumus).
SUPERMAGRO
É um biofertilizante, indicado como fonte suplementar de micronutrientes para as plantas; inibidor de fungos e bactérias, causadores de doenças e para aumentar a resistência contra insetos e ácaros lançado pelo Centro de Agricultura Ecológico de Ipê. RS A calda Supermagro é produto da fermentação de estercos animais, enriquecidos por micronutrientes (sulfatos de magnésio, zinco, ácido bóricos e outros) e outros produtos de origem animal (esterco bovino), obtendo uma calda biofertilizante para aplicação foliar nas plantas. Foram observados bons resultados, principalmente nas culturas de uva; maçã; pêssego; tomate; batata e hortaliças em geral.
MINAS TRABALHA PARA ALTERAR MECANISMOS DA LIGISLAÇÃO AMBIENTAL DO ESTADO
Marisa Cauduro
Sem alarde, o governo de Minas trabalha para alterar mecanismos da legislação ambiental do Estado que estão dificultando a instalação de novos empreendimentos em áreas estratégicas, como a região do entorno do aeroporto internacional de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, e a região norte do Estado.
Em dezembro, o governador Aécio Neves (PSDB) sancionou a lei 17.353, que modifica um decreto de 2004 e aumenta de 60% para 70% a possibilidade de desmatamento na Floresta Estacional Decidual, também chamada Mata Seca, um ecossistema do Norte de Minas. Agora, o governo tenta aprovar nova legislação para alterar um decreto estadual de 1980, que cria uma área de preservação ambiental especial na região de Confins.
O projeto de lei 1.444, de autoria do Executivo, tramita desde setembro do ano passado na Assembléia Legislativa. Este mês, o governo encaminhou um substitutivo ao mesmo projeto. De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, o objetivo é adequar a legislação de modo a proteger o patrimônio arqueológico da região, mas garantir também a relevância econômica da região.
Transformar Confins num aeroporto industrial, atraindo empresas para a zona de tratamento tributário especial e para toda a região, é um dos projetos estratégicos da gestão de Aécio. Muito antes do acidente com o Airbus da TAM , no aeroporto de Congonhas, colocar em evidência o carregado tráfego aéreo nos aeroportos centrais, o governo mineiro conseguiu, numa parceria com a Infraero, transferir todos os vôos entre capitais do aeroporto da Pampulha, na zona norte da capital.
O objetivo era garantir movimento de passageiros e fluxo aéreo no aeroporto que, por mais de duas décadas, foi uma espécie de terminal fantasma. Aécio também está investindo na Linha Verde, uma via expressa que ligará Confins, distante cerca de 40 quilômetros, ao centro da capital. Nada disso, porém, garantirá a atração de indústrias na região se os investidores não conseguirem as licenças ambientais para seus projetos.
Segundo informações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama), todos os processos com pedidos de licença ambiental para expansão ou novos empreendimentos na região estão parados. Com base no decreto estadual 20.597, florestas e demais formas de vegetação natural da região são de preservação permanente. De acordo com a assessoria de imprensa, o órgão não pode atuar em desacordo com o decreto estadual. A norma atinge a região de Confins e os municípios de Lagoa Santa, Pedro Leopoldo, Matozinhos e Funilândia.
Técnicos do governo alegam que o decreto estadual de 1980 conflita com legislação federal de 1990, mais moderna e menos restritiva. O decreto federal 98.881 define como área de proteção ambiental o mesmo contorno geográfico do decreto estadual, mas, diferentemente dele, admite atividades industriais e ocupação urbana. No entendimento do Ministério Público Estadual, o decreto estadual de 1980, mais restritivo, prevalece sobre o federal. A legislação impede a instalação não apenas de indústrias, mas também de estabelecimentos como postos de combustível e estacionamentos.
A necessidade de atualizar a legislação ambiental para permitir a atração de investimentos em determinadas regiões do Estado não é consenso entre ambientalistas. Enquanto técnicos do próprio Ibama concordam com o governo do Estado e entendem que é possível levar desenvolvimento industrial para as regiões sem comprometer as áreas especiais de preservação, ambientalistas ligados a entidades como a Associação Mineira de Meio Ambiente (Amda) denunciam falta de rigor técnico nas análises da Fundação Estadual de Meio Ambiente para concessão de licenças ambientais em diferentes regiões do Estado.
A Amda foi uma das entidades que se pronunciaram contra a sanção, no fim de dezembro, da legislação que amplia a possibilidade de desmatamento na Mata Seca. Trata-se, de acordo com a associação, de um ecossistema pouco estudado, com número significativo de espécies de fauna e flora. A floresta é rica em árvores altas de bom valor econômico, como ipê e umbu. A nova legislação mineira permite que 70% das árvores secundárias sejam derrubadas - 10% mais do que o permitido pela deliberação normativa do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) de 2004 - e o desmatamento de até 60% da cobertura vegetal primária, três vezes mais do que o autorizado pelo Copam.
Questionada sobre o assunto, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente informou, por meio da assessoria de imprensa, que a aprovação da lei 17.353, sancionada pelo governador em dezembro, atendeu a antiga reivindicação dos produtores da região norte para uso do solo da Mata Seca em empreendimentos agrossilvipastoris, depois de o assunto ser sido debatido em audiências públicas. A lei diz que o desmatamento só será autorizado para atividades econômicas sustentáveis, mas não deixa claro os critérios de sustentabilidade que deverão ser aplicados.
A gigante Copersucar fechou um megacontrato para entrega de álcool com seu preço indexado ao petróleo. Esse tipo de contrato começa a ganhar corpo no Brasil à medida que a produção mundial de etanol se consolida como energia e dá mostras de que deverá superar a oferta de açúcar nos próximos anos.
Com faturamento de quase US$ 2,5 bilhões, a Copersucar será a fornecedora exclusiva de álcool para a multinacional Solvay do Brasil. Esse contrato, fechado por um período de dez anos, prevê a entrega de cerca de 150 milhões de litros por ano para que a indústria substitua o nafta, derivado do petróleo, na produção de PVC.
Esta é a primeira vez que a Copersucar faz um contrato tão longo para o álcool - e com o preço atrelado ao petróleo -, afirma Hermelindo Ruete de Oliveira, presidente do conselho de administração da companhia. "Já tínhamos contratos de longo prazo para açúcar", afirma ele.
Como o nafta é derivado do petróleo, o álcool industrial que será usado para substituir a matéria-prima terá sua cotação atrelada ao óleo bruto. No Brasil, grandes grupos exportadores de álcool combustível começaram a atrelar, há pelo menos dois anos, o preço do produto ao da gasolina, seguindo o mesmo raciocínio do petróleo. "O álcool combustível tem seu preço correlacionado ao da gasolina", observa Plínio Nastari, presidente da consultoria sucroalcooleira Datagro. O risco destes contratos é que os preços do petróleo desabem.
Analistas ouvidos pelo Valor não acreditam que os preços do petróleo voltem aos patamares de US$ 30 por barril. "É improvável que fique abaixo dos US$ 50", afirma o presidente da Datagro. Até há pouco tempo, as cotações do álcool - combustível e industrial - estavam atrelados ao açúcar no mercado internacional. "Essa relação se inverteu. A commodity açúcar está relacionada com energia [por conta do álcool]. A expectativa é que a produção mundial de álcool ultrapasse a do açúcar nos próximos quatro anos", diz Nastari. Nesses contratos, a gasolina ou o petróleo são a maior referência. Sobre esses preços, paga-se um prêmio ou há um desconto, de acordo com o cenário para o álcool no mercado. No mercado interno, a formação de preços para o álcool é o índice Cepea/Esalq, lembra Marcelo Andrade, da Ecoflex Trading.
Com 35 usinas associadas para esta nova safra, a 2008/09, ante 31 do ciclo passado, a Copersucar está crescendo cerca de 20%. Na safra 2007/08, a moagem de cana ficou em torno de 65 milhões de toneladas. Para este ano, deve ficar em torno de 80 milhões de toneladas de cana. "Vamos superar a produção de 100 milhões de toneladas em pouco tempo", afirma Ruete de Oliveira.
Desde que saiu do varejo em 2005, com a venda da marca União para o grupo Nova América, a Copersucar está dando maior ênfase para logística e distribuição em seus negócios. Nos planos do grupo há estudos para parcerias em investimentos na região do Caribe. A região é estratégica para a exportação de álcool para os Estados Unidos, por meio do acordo CBI (Caribbean Basin Initiative). O mercado europeu, também considerado estratégico para o etanol, também está no radar da Copersucar. "O objetivo é reforçar as parcerias internacionais", afirma Luís Pogetti, presidente executivo da Copersucar.
Fundada em 1959 como uma cooperativa privada de usinas, a Copersucar prepara-se para comemorar 50 anos em 2009, com um crescimento médio anual de 20%. Com sede nova desde o ano passado, em plena avenida Paulista, na capital paulista, as usinas associadas à Copersucar investiram nos últimos anos cerca de US$ 2 bilhões para expandir sua capacidade de produção e em unidades novas, segundo Pogetti. As usinas associadas à Copersucar deverá atingir 4,26 milhões de toneladas de açúcar e 4,26 bilhões de litros de álcool na safra 2008/09. A expectativa é de que o número de associadas volte a crescer nos próximos anos, à medida que os projetos novos entrem em operação no país.
Apesar de a atividade agrícola estar sendo colocada como um possível vilão do aquecimento global - principalmente no Brasil, onde as grandes plantações avançam por terras da Floresta Amazônica – há quem defenda o setor como um meio de proteger o planeta das mudanças climáticas.
O presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (IFAD, sigla em inglês), Lennart Bagé, propõe que o conceito de mercado de carbono seja ampliado e que se forneça compensações a agricultores de países em desenvolvimento que contribuem com a conservação do solo e desmatamento evitado.
“Três quartos das pessoas que vivem em extrema pobreza - ou seja, um bilhão habitantes, que sobrevivem com menos de um dólar por dia – residem em áreas rurais e dependem da agricultura e atividades relacionadas. Um crescimento agrícola mais rápido será portanto um fator elementar no caminho para a redução da pobreza”, defende o presidente.
Evidências históricas apóiam este fato. Na China, por exemplo, o crescimento agrícola comprovadamente é 3,5 vezes mais efetivo na redução da pobreza do que o urbano. Na América Latina, o índice é de 2,7 vezes. O Relatório Mundial de Desenvolvimento de 2008 mostra que o crescimento do PIB gerado pela agricultura é quatro vezes mais eficiente no beneficiamento dos mais pobres do que a expansão nos outros setores.
Mesmo assim, a ajuda à agricultura tem caído acentuadamente nos últimos 25 anos. Em 1979, o setor contava com de 18% dos recursos da “Assistência Oficial ao Desenvolvimento”; valor que foi reduzido para 3,5% em 2004.
Os investimentos domésticos na agricultura seguem a mesma tendência. E Bagé acredita que essa situação precisa ser revertida, pois defende que existem sinais positivos de novas atenções e prioridades para a agricultura. “O fato de que o Relatório Mundial de Desenvolvimento deste ano ser devotado à agricultura, pela primeira vez em 25 anos, reflete este novo interesse”, avalia.
“Ainda que intensifiquemos nossos esforços, as mudanças climáticas apresentam tanto riscos quanto oportunidades. Já estamos vendo os seus efeitos sobre a agricultura dos países em desenvolvimento”, afirma citando as falhas nos cultivos e mortes do gado causam grandes perdas econômicas e minam a segurança alimentar com uma freqüência cada vez maior, especialmente em partes da África Sub-Saariana. Com isso, a produção das plantações pode cair em 50% até 2020 em alguns países.
Os preços de commodities agrícolas estão subindo, parcialmente devido à mudança nos padrões climáticos. E isso trará conseqüências para a população rural. Para alguns, significará novas oportunidades, particularmente para os produtores rurais pobres que possuem acesso aos mercados. Mas, para a maioria das famílias que são consumidoras de commodities alimentícias, o aumento dos preços irá causar sérios problemas.
Nesse cenário entram os biocombustíveis, tidos como uma resposta importante para as mudanças climáticas. Apesar de serem uma alternativa aos combustíveis fósseis, aceleram a competição por terra agricultável e contribuem para o aumento do preço dos alimentos.
Ao mesmo tempo, as culturas de biocombustíveis de segunda geração como o Sorghum (gramínea) e a Jatropha curcas (Pinhão Manso), que crescem em terras marginais, podem se tornar novas fontes de renda para agricultores pobres, avalia Bagé. “Os esforços internacionais devem se focar em evitar os riscos para a segurança energética, ao mesmo tempo em que expandem as oportunidades associadas com os biocombustíveis”, afirma.
Para o presidente, as mudanças climáticas tornam a agricultura ainda mais crucial. São mais de três bilhões de pessoas vivendo em áreas rurais no mundo, a maioria com menos de dois dólares por dia. Ao mesmo tempo em que estão profundamente vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, contribuem para as emissões de gases do efeito estufa: o Banco Mundial estima que a agricultura e o desmatamento nos países em desenvolvimento sejam responsáveis por cerca de 22% das emissões.
Bagé entende, no entanto, que, apesar de a adaptação aos novos padrões do clima ser elementar para os agricultores pobres, eles também podem assumir um papel importante na mitigação das mudanças climáticas por meio do manejo sustentável da terra, de florestas e outros recursos naturais.
Ele sugere o aflorestamento;o reflorestamento; a adoção de melhores práticas no cultivo da terra (como a conservação e o agroflorestamento, reabilitação de cultivos degradados e pastagens) e melhora nas práticas de manejo do gado como ações que tendem a contribuir significativamente para a redução das emissões de carbono.
Para isto acontecer, ressalta, é necessário um aumento substancial no apoio para as pesquisas sobre o desenvolvimento de cultivos resistentes a secas e salinidade. Também é preciso investimentos para assegurar que os pequenos agricultores tenham acesso a estas tecnologias e que isto se traduza em uma produção maior e mais resistente ao clima.
“Acredito, entretanto, que precisamos ir além. Estou convencido que os produtores rurais pobres devem ser reconhecidos e recompensados pelo fornecimento de serviços ambientais ao praticar um manejo do uso do solo e florestal ambientalmente condizentes que beneficia a todos nós”, enfatiza.
Bagé afirma que apoio para a conservação do solo, incentivo para práticas de produção sustentáveis e o pagamento pelo carbono seqüestrado e pelo desmatamento evitado são parte da solução. “Esquemas para negociação de carbono precisam envolver a compensação para o seqüestro de carbono rural”, ressalta.
As mudanças climáticas irão afetar a toso, mas impõe riscos particulares ao desenvolvimento e a redução da pobreza, assim como para o alcance das Metas de Desenvolvimento do Milênio. Bagé acredita que os esforços serão mais efetivos se reconhecerem as pessoas pobres do meio rural como guardiãs da base dos recursos naturais e assegurarem a eles o acesso à tecnologia e aos financiamentos necessários para dar conta das mudanças climáticas. Assim tornam-se parte da solução.
“Ao ouvir às vozes dos agricultores no momento do planejamento do processo de adaptação e mitigação, podemos reduzir os riscos das mudanças climáticas, ao passo que aceleramos o progresso em direção à um mundo sem pobreza”, conclui.
O governo federal usou a nova estimativa de safra de grãos, fibras e cereais para atacar a tese de aumento do desmatamento pela soja em regiões da chamada Amazônia Legal. O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Silas Brasileiro, insistiu ontem que o avanço da soja em Mato Grosso, por exemplo, ocorreu em áreas de pastagens degradadas. "O sistema lavoura-pecuária tem sido um incentivo para produzir mais na mesma área. E temos visto que as áreas de pastagem degradada, com baixo suporte para o gado, têm sido ocupadas por lavouras em Mato Grosso", afirmou.
Os dados divulgados ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram um avanço de 6,3% na área da soja em Mato Grosso, o equivalente a 325 mil hectares. Em Tocantins, o crescimento bateu em 12%, ou 32,2 mil hectares. Pará (10,6%), Rondônia (8,4%) e Maranhão (1,1%) também aumentaram suas áreas de soja. A área de milho também cresceu na região. Em Mato Grosso, o avanço chegou a 2,4% e, em Tocantins, a 5,5%, segundo a Conab. Mesmo assim, o secretário-executivo do ministério utilizou a estimativa global, que aponta um crescimento de apenas 0,3% na área plantada, para legitimar a tese. "É gratificante perceber o crescimento da nossa produção de grãos sem o aumento da área de ocupação. Demonstra que o setor tem incorporado tecnologia para garantir o aumento de produção", disse Silas Brasileiro.
No levantamento realizado pela Conab, a área plantada com grãos, fibras e cereais no país atingirá 46,3 milhões de hectares. A soja teve o maior crescimento, segundo a estatal, com 0,9% de avanço no global, passando de 20,69 milhões para 20,88 milhões de hectares.
O novo levantamento da safra neste ciclo 2007/2008 deverá chegar a 136 milhões de toneladas, segundo a Conab. O volume é 3,5% superior à produção do período anterior (2006/2007). A razão do crescimento é a boa expectativa para a produtividade da soja e do milho, segundo o diretor de logística da Conab, Silvio Porto. A soja é líder da produção de grãos (58,5 milhões de toneladas), seguida do milho (53,6 milhões de toneladas) e do arroz (12 milhões de toneladas).
Neste levantamento da safra 2007/2008, a Conab avalia ter havido um forte impacto do crescimento da estimativa de produção do milho 1ª safra, cuja produção está estimada em 1,6 milhão de toneladas adicionais. A produção de trigo cresceu, segundo a Conab, 71,5% em relação à safra anterior, com mais 1,6 milhão de toneladas, e o arroz deve atingir um adicional de 697,6 mil toneladas.
A soja, principal produto de exportação brasileiro em área e em volume, deve fechar a safra 2007/2008 com uma produção de 58,49 milhões de toneladas, um aumento de 0,2% em relação à safra 2006/2007, segundo a Conab. O diretor Silvio Porto informou que a área cultivada de soja aumentou 0,9% em comparação com a safra passada em virtude da elevação dos preços da oleaginosa, da maior rentabilidade em relação às outras culturas e da maior liquidez do produto no mercado.